quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Bikaner: Forte e o templo dos ratos

Depois de visitar Mandawa seguimos para a próxima cidade: Bikaner. É uma cidade do século XV e uma das cidades que fazem parte do circuito do Rajastão.
Quase todas as cidades do Rajastão tem um forte que defendia o território já que o noroeste da Índia é bem perto do Paquistão. Estávamos muito perto do Paquistão e os indianos não gostam muito deles pelo que pude perceber. Ao lado meu irmão e eu estamos no forte Junaghar. Esse forte é muito bonito e com uma riqueza de detalhes maravilhosa nos corredores, nas paredes. Essa arquitetura indiana na minha opinião é muito mais bonita que muitos lugares que vi na Europa. Fico me perguntando, o quanto a arquitetura indiana deve ter influenciado na Europa.
Acima a Doris percorrendo os diversos corredores do forte, parecia um labirinto, muito fácil de se perder. Muitas vezes me sentia num filme de castelo com milhões de caminhos. Depois de visitar o forte, almoçamos e depois seguinhos 30 Km ao sul de Bikaner para visitar um templo.
 
Eu a Doris não sabíamos que se tratava do templo Karni Mata, ou também conhecido como Templo dos Ratos. Minha amiga Milly tinha uma foto bem bacana desse templo mas eu não tinha ideia que estávamos indo para esse templo. Como a viagem foi longa e eu dormi durante todo o trajeto chegamos no templo e fomos pagar para guardar nossos sapatos já que em todo templo indiano se entra com meias ou descalço. Logo que olhei na entrada do portão eu já havia avistado um rato mas não fazia ideia do que ia encontrar dentro do templo.
Minha amiga Patrícia sabe o quanto eu sempre fui meio distante dos animais, mas aqui na Índia todo dia tem vários tipos de animais que nos cercam. Aqui superei todo o medo que eu tinha de qualquer animal.. Na entrada do templo eu vi umas crianças com receio de entrar porque passavam um monte de ratos pra lá e pra cá, mas os pais das crianças faziam elas entrarem. Eu estava atrás da Doris e onde ela ia eu ia. Pensei em desistir mas se todo mundo entrava, porque eu ia desistir. Uma vez que vc está na chuva sem guarda-chuva não resta outra opção a não ser se molhar. No meu caso, já que tem tanto rato e as pessoas entrando eu segui o fluxo. Detalhe, nós estávamos de meia e o chão mega sujo e com os ratos passando muito pertinho.
 
Esse templo é bastante frequentado pelos locais e eles acham tudo muito normal porque pra eles é normal mesmo, mas é chocante para nós ocidentais. Quando eu vi uma mulher de saia sentada no chão e o rato entrando eu fiquei paralisada. Não dava para segurar o corrimão porque também tinha rato, saí do templo e fiquei no pátio esperando minha amiga e aflita elevada a décima potência observando os ratos. Até briga de rato eu vi, eles disputavam comida. Os indianos levam comida e leite para alimentar os ratos. Uma foto clássica desse templo é uma bacia de leite com os ratos em volta tomando. Eu tinha visto uma foto da minha amiga argentina Milly nesse templo mas quando estávamos lá não tinha a bacia de leite. Se paga para tirar foto e apesar de eu estar com minha máquina eu não consegui pensar em tirar foto, fiquei realmente paralisada. Meu cérebro não raciocinava direito, eu só pensava: "calma, logo eu vou sair daqui e tudo vai ficar bem". 


Depois que saímos do templo fomos ler sobre o templo e entendemos porque nosso guia nos levou até lá. É um dos templos mais famosos da Índia e difere absurdamente dos outros templos. É um templo mais simples e frequentado por pessoas mais simples também. Diferente de outros templos, esse é realmente exclusivo para o indiano e eles não deixam os turistas chegarem perto do altar. Não fomos tão bem acolhidos como nos templos que visitamos até aqui. Havia mesmo muitos estrangeiros e eles estavam numa boa observando. Eu me mantive forte e esperei minha amiga, nesse não consegui seguir totalmente minha amiga....rsrsrs A Doris também nunca tinha visto um templo assim apesar de ter morado 1 ano na Índia, é um templo bem específico e típico dessa região do Rajastão.
 
Karni Mata é uma das encarnações da Deusa Durga. Durga é a deusa que personifica o espírito feroz, defensor e protetor da mãe que luta com todos os seus recursos para salvar seus filhos dos perigos e dos inimigos. Segundo a lenda local, no século XIV Karni Mata pediu ao Deus da morte, Yama, para devolver a vida do filho de um homem contador de estórias. Quando Yama recusou-se, Karni Mata reencarnou todos os contadores de estórias que já haviam morrido, na forma de ratos, para que assim Yama não tivesse mais almas humanas de contadores de estórias para matar, (uma vez que essas almas seriam no futuro, reincarnadas como seres humanos). Essa é uma versão!
 
Bom, agora estou de volta a Mumbai  e depois de passar por várias outras cidades menores fico feliz de ver essa cidade com grande potencial de crescimento. Começo agora a operação volta para casa, como diz meu amigo Marcelo, o banzo do Brasil está cada vez mais forte. Como a volta ao Brasil será longa eu vou tentar relatar mais e organizar as fotos, já foram mais de 1.700 fotos ao todo.
 
No próximo post vou falar o deserto de Thar! Continua... 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A megacidade Delhi e a pequenina Mandawa!

Meu ano de 2014 começou da  melhor maneira possível, estava saindo da megacidade de Mumbai, a maior da Índia para a segunda maior megacidade: Delhi! Sou fascinada por grandes cidades, é o meu estilo de viajar, eu seleciono primeiro pelas maiores cidades, é meu gosto pessoal, as megacidades me fascinam! Coincidência ou não, durante o vôo lendo o jornal da Índia tinha um artigo interessantíssimo de um economista discutindo sobre as cidades indianas. O autor falava do descompasso filosófico das cidades indianas com as outras  cidades asiáticas que eu já conhecia e fiquei empolgadíssima aprendendo e tomando nota das observações do autor. Para completar minha alegria chego no aeroporto de Delhi e recebo o simpático e incrível guia Gulab com uma plaquinha Welcome Iara Rosa! Sensacional meu primeiro dia do ano.
 
Fizemos um city tour pela cidade e apesar de ter ficado pouco tempo já deu para perceber o caos de uma megacidade, um trânsito infernal para um feriado. Deixa eu tentar dimensionar esse trânsito caótico...nunca vi nada parecido em São Paulo. Chegou ao ponto de eu dormir e acordar e não sair do lugar de tão parado que estava o trânsito. Houve um momento que os carros começaram a andar na contramão e eu achei incrível isso. Fui entendendo aos poucos que as regras de trânsito na Índia tem suas próprias regras e toda hora passávamos por muitas "finas" com os carros vindo do lado oposto. Ainda bem que nosso motorista extremamente paciente e habilidoso nos deixou são e salvos durante 12 dias de viagem pelo Rajastão. Nada como um guia sensacional ao nosso lado!
Ao lado sou eu ao lado de um dos patrimônios históricos da Unesco, o mais antigo mausoléu chamado Humayun ou Humayun's Tomb do século XVI do período mogal. Esse ao contrário do Taj Mahal, a viúva mandou construir em honra ao falecido marido.
 
Deu para perceber algumas semelhanças de Delhi com Bangkok, uma das minhas megacidades favoritas. O aeroporto de Delhi é sensacional, 5X maior, pelo menos, que o nosso de Guarulhos e tem metrô conectado à cidade, amei isso! Depois eu descobri que é a única cidade indiana que tem metrô conectado à cidade. No Brasil até agora nenhuma cidade tem ligação com o metrô...me corrijam se eu estiver enganada (Marcelo Bezerra, estou certa?) Não tenho certeza se Recife tem metrô conectado à cidade.
 
No dia seguinte seguimos rumo a cidade de Mandawa no noroeste da Índia com 20 mil habitantes e apesar de estar com o guia da Folha excelente, essa cidade não estava no guia. Mandawa é uma cidadezinha rural do século XVIII que me encantou bastante. Me lembrou bastante as cidades mostradas nos filmes iraninanos....igualzinho mesmo. Me senti dentro de um filme iraniano tipo o Apedrejamento de Soraya, o Jarro...foi sensacional pra mim.
Nessa cidade o recepcionista do hotel me falou que eu parecia indiana....hahaha eu fiquei tão feliz. Eu falei que infelizmente eu não era indiana, mas não pude deixar de perguntar se eu fosse indiana de que parte da Índia eu seria....adivinhem a resposta...rsrsrsrs MUMBAI! Fiquei super feliz! Depois eu tentei aplicar o golpe de dizer que sou indiana em outra cidade e não deu muito certo.....hehehe
 
Andando pelas ruas de Mandwa me deparei com esse pavão bonito e tem uma simbologia interessante para os professores. A deusa da sabedoria e do conhecimento se chama Saraswati e o animal associado a ela é o pavão, foto abaixo. Saraswati significa aquela que flui e um bom discurso pressupõe poder e inteligência. Pelo que eu li também ela era tão inteligente, tão inteligente, tão inteligente que não queria se casar com qualquer um, não a toa ela se casou com o deus criador Brahma porque era o mais perfeito dos homens. Sensacional a Saraswati, sou fã de carteirinha dela agora! Portanto, ela é personificação de todo o conhecimento representa todas as ciências, todas as artes, todas as técnicas. Fica aqui o pavão abaixo que é o símbolo da Saraswati e também dos professores!
 

Nessa cidade, a maioria das casas são chamadas de haveli e tem o centro uma abertura e todos as casas são pintas com uma riqueza de detalhes impressionante. Nosso hotel era um hotel haveli, uma arquitetura belíssima.

Uma outra coisa que eu adorei em Mandawa foi o templo abaixo, chegamos às 18h e pegamos a celebração do Arati, cerimônia que acontece todos os dias em que os tambores e sinos ecoam por toda a cidade e as pessoas cantam com muita devoção. Mesmo percebendo que somos de fora, as pessoas do templo nos recebeu de uma forma muito fraterna e acolhedora e com um sorriso maior que tudo. Cabe aqui dizer que em todo templo indiano é preciso tirar os sapatos e sempre se pisa com o pé direito e toca o chão do templo com a mão direita e coloca no coração. Os indianos fazem isso e minha amiga me ensinou também.
 
 Aqui então começou nossa aventura pelo Rajastão, eu achei que todas as outras cidades que conhecemos depois seriam parecidas com Mandawa, mas não foi.

Espero que os amigos estejam gostando do post, eu adoro escrever e poder relatar mesmo que um pouco dessa aventura me deixa feliz. Não poderia perder essa energia do momento (shakti) e por isso escrevo. A viagem foi bem cansativa mas conhecer um pedacinho dessa Índia me faz pensar em muitas coisas e com certeza voltarei ao Brasil com um olhar bem diferente sobre vários aspectos. Tem muitas cidades para relatar ainda. Agora precisamente estou aqui no Nepal e me preparando para ver o Everet de pertinho, espero sobreviver ao pequeno avião que vai nos levar até la!
 
Continua...

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Índia: Chegada na megacidade de Mumbai e visita aos templos!

O aeroporto de Mumbai é enorme e muito bonito. Logo na imigração eu pude sentir o que chegar num país com mais de 1,2 bilhão de habitantes, um mar de gente e mais de 35 guichês. As roupas das pessoas são engraçadas porque já fica bem diferente do nosso acostumado padrão ocidental. Assim como provavelmente eles devem achar nossas roupas ocidentais estranhas também...rsrs imagino eu! Desde o embarque em São Paulo já haviam muitas pessoas com roupas bem diferentes! Na fila bem  atrás de nós tinha uma família do Lesoto, todos de branco e com um turbante na cabeça e as mulheres com véu. Eu fico esticando meu pescoço de curiosidade pra saber da onde as pessoas vem, se eu pudesse eu ia lá conversar para saber mais do país...rsrs Foi bem rápida a imigração até porque a fila era gigantesca, eu nunca vi uma imigração tão lotada quanto a de Mumbai, uma multidão de gente, isso foi bem interessante! A imigração foi mais fácil que o preenchimento do formulário para o visto, tudo me pareceu bem burocrático na Índia, mas até que a imigração foi bem tranquila!
Antes de pegar as malas, eu tinha que ir ao banheiro. Pra quem já me conhece sabe o quanto sou uma torneira ambulante e vou toda a hora ao banheiro. Já haviam as histórias de que os banheiros na Índia são sujos e não tem papel higiênico. Eu precisava checar essa informação, eu faço uma espécie de inspeção pessoal sobre banheiros ao redor do mundo! Sou especialista em banheiros...rsrsrsrs! Mas foi bem tranquilo, no aeroporto os banheiros eram limpos e tinha papel higiênico! Eu sabia que essa megacidade cosmopolita não ia me decepcionar! 
 
Já tínhamos contratado um transfer com nosso hotel e lá estava o funcionário do hotel com o nome do meu amigo Mário na plaquinha. O aeroporto de Mumbai fica a 40 km de Colaba, o bairro mais central e turístico da cidade onde ficamos hospedado. Durante o trajeto logo pelas 6 horas da manha já haviam muitas pessoas nas ruas. E tinha comércio de verduras em vários pontos da cidade. Haviam viadutos por todos os lados e muitos minhocões como em São Paulo. Haviam muitas pessoas dormindo na rua e até mesmo na frente do nosso hotel, do nosso quarto dava pra ver 5 pessoas dormindo do outro lado da calçada. Outra coisa que chamou a atenção foi o barulho da buzina, muita, muita, muita buzina! Piiiiii, piiiii, piiiii multiplicado por mil!
 
Nosso hotel fica bem próximo de um dos hotéis mais famosos da Ásia, o Taj Mahal hotel que sofreu um atentado com bomba anos atrás. Em muitos lugares que entramos tem inspeção de bolsa e detector de metais, isso aconteceu na Etiópia também! Ao redor do nosso hotel havia um barraquinha de camelô ao lado da outra, um mar de camelôs e um espaço bem pequeno para andar. Logo avistei um Mc Donald's e eu queria muito conhecer as opções vegetarianas na Índia, foi onde jantamos na noite do dia 31, comi um mc veggie e adorei o hambúrguer vegetariano, é cheio de legumes, na verdade, são legumes prensados na forma de hambúrguer.  Adorei o Mc Donald's da Índia!
 
Caminhando pela cidade já me emocionei de ver uma cidade toda arborizada e com aqueles milhões de tuc tucs e muita buzina, igualzinho como mostrados nos filmes. Andamos por uma rua que se chamava Mahatma Gandhi e meu olho encheu de lágrima. Desde criança meu pai sempre falava do Gandhi...mal sabia eu que mais tarde nosso guia nos levaria para conhecer a casa onde Gandhi viveu em Mumbai. Eu nem sabia que ele tinha vivido uma época alí em Mumbai e não estava no guia essa importante informação. Foi sensacional conhecer a casa e saber que o dinheiro do museu e dos souveniers vão para a associação do Gandhi. Eu comprei um cd com as músicas favoritas do Gandhi! Fiquei novamente bastante emocionada de estar alí na casa onde esse grande homem morreu! 
 
 
Minha amiga Dóris queria ir a alguns templos, um deles era o Templo de Lakshimi (foto ao lado)  a deusa da fortuna, fonte de toda a fartura, beleza e saúde e por essa razão  estava lotado de gente justamente porque era dia 31, desistimos e fomos a outros templos. 
 
Visitamos o templo de Ganesha que também estava lotado. Ganesha é reverenciado em todos os lugares que passei e ele é o deus da properidade, sucesso na jornada,  removedor dos obstáculos e todos os comerciantes tem um Ganesha porque ele é muito bom para os negócios prosperarem.
 
Nosso motorista em Delhi tem uma Ganesha no carro e em muitos estabelecimentos também tem, eu vi em mais de 90% das vezes! Imagina se a partir de agora não terei um Ganesha na minha agência de viagens...rsrsrs!
 
Em todos os templos é preciso entrar descalço e não pode tirar foto. Compramos uma oferenda para Ganesha que consistia num côco inteiro e doces. A fila para fazer a oferenda é separada entre homens e mulheres e dá pra entender motivo, é um empurra-empurra danado, mil vezes pior que a 25 de março, mas foi uma experiência sensacional! O importante é conseguimos fazer a oferenda no último dia do ano de 2013 para entrar em 2014 com todas as energias positivas da tradição indiana. Uma vez que entregamos a oferenda nós recebemos outra cesta com o côco quebrado e com os doces já abençoados.  Minha amiga me explicou que o côco inteiro com a casca representa o ego e o côco dentro representa a doçura do ser.
 
Por isso na oferenda a Ganesha fazemos a oferenda de um côco inteiro e recebemos do purjari ou brâmane, que abençoa as oferendas, o côco quebrado já abençoado, como uma forma de nos abrir para o nosso verdadeiro eu. A minha leitura é que entregamos a nossa dureza e depois com o côco quebrado nos abrimos para receber a benção de Ganesha. Seja como for, fiz o ritual e adorei essas explicações. Nesse templo entramos descalços mas tivemos que deixar nossos sapatos com umas pessoas que cobram para guardar os sapatos. Na volta, as pessoas tinham ido embora e nossos sapatos estavam lá nas calçadas de Mumbai largados....foi bem engraçado. Andar descalça em Mumbai foi bem diferente, mas lá é bastante normal, adorei a experiência nas ruas e no templo de Ganesha.
 
Ainda terei mais dois dias inteiros em Mumbai na minha volta do Nepal, mas já deu pra sentir um pouco dessa megacidade!
 
Nosso ano novo foi em Mumbai em frente ao Portal da Índia, foto ao lado e ao hotel Taj Mahal ( foto abaixo). Fogos de 5 minutos e pronto! Voltamos ao hotel logo após os fogos porque tínhamos que acordar cedo para pegar o vôo para a segunda maior cidade da Índia: Delhi! 
 
 
 
Continua...

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Índia: motivação psicológica e espiritual

Durante o vôo de Addis Ababa para Mumbai eu mal consegui dormir, a expectativa de chegar nessa megacidade era muito grande pra mim! Eu lembro que ficava olhando admirada 2 anos atrás quando eu acompanhei uma brasileira no aeroporto de Istambul que ia para a Índia e vi todos aqueles indianos, naquela época eu fui para a Tailândia.  No vôo de volta as várias conversas com as pessoas que tinham acabado de voltar da Índia me deixava muito curiosa e admirada sobre o país. Existe um misticismo muito grande quando se fala em Índia e sem dúvida uma das civilizações mais antigas do mundo e que podemos tirar um grande aprendizado, esse é meu objetivo na Índia, aprender!

Sem dúvida nenhuma, tenho muito claro que visitar a Índia requer uma grande fonte de motivação! É preciso estar preparado psicologicamente para muitas situações e saber qual o sentido que você quer que essa viagem tenha na sua vida. Já ouvi relatos de pessoas que não aguentaram ficar 5 dias no país e agora vendo tudo aqui eu tenho muita clareza sobre este país e que realmente pode ser bastante chocante para nós ocidentais. Eu conversei com pelo menos umas 10 pessoas entre amigos e conhecidos de viagens e todos os que conversei já haviam viajado para muitos outros lugares antes. Para mim a Índia é o 24 país...então era a minha hora de conhecer esse país.

Quando decidi ir a Índia eu confesso que estava num momento de decisão pessoal sobre o sentido que queria dar a minha vida e isso aconteceu em junho de 2013 quando completei 32 anos. Acho que chega um momento da vida que não dá pra deixar o leme seguir qualquer direção e eu precisava focar e fazer acontecer o que efetivamente eu quero para minha vida. Comecei a ter muito claro tudo o que quero pra minha vida de uma maneira muito objetiva como nunca antes costumava pensar e isso me deu frutos positivos e negativos também. Muitas coisas do que eu quis na época não deram certo porque não dependiam de mim, mas quando as coisas dependem de mim mesma, tudo tende a dar certo. Comprei minha passagem para a Índia e nessa aventura meu super e melhor amigo Mário e meu irmão toparam essa viagem comigo. A partir de então, eu coloquei que pra mim mesma que ia me dedicar a aprender mais sobre o meu verdadeiro eu e sabia que a cultura indiana me daria várias respostas e caminhos para meus questionamentos e  seria um leme na direção certa do caminho que quero trilhar para minha vida daqui pra frente.
 
Comecei a fazer muitas anotações e muitas vezes não conseguia entender uma porção de coisas sobre a cultura indiana...me sentia ainda meio despreparada para a Índia. Pensei em fazer um curso de dança indiana para entender mais sobre a cultura mas por conta de agenda complicada desisti. O ponto da virada aconteceu em Outubro quando minha amiga Fernanda me apresentou a amiga dela que havia morado um ano num ashram na Índia, ela se chama Doris.

 
 
Não acredito em coincidências mas não por acaso foi fundamental ter conhecido a Doris em outubro. Fiz várias perguntas sobre a experiência dela na Índia e não por acaso eu havia acabado de ler o capítulo da Índia do best seller Comer, Rezar e Amar. A Doris ficou no mesmo ashram que a escritora do livro (Elizabeth Gilbert), muito anos antes inclusive. Portanto coincidiu a minha leitura com conhecer alguém que havia morado um ano lá. Eu estava curiosíssima para saber sobre  o canto da Guru Gita que a escritora do livro falava tanto mal quando a Doris me convidou para conhecer o Centro de Meditação em São Paulo e que exatamente no dia seguinte haveria esse canto. No dia seguinte lá estava eu no centro de meditação acompanhando esse belíssimo canto em sânscrito com tradução em português. Me senti profundamente atraída pelo lugar e passei a frequentar efetivamente o centro de meditação sidda yoga e a fazer vários cursos de meditação indiana.
 
A meditação sidda entrou efetivamente na minha vida e estou apenas no começo,  mas o mais legal disso tudo foi que comecei a encontrar o sentido espiritual que faltava na minha vida. Além disso, minha nova amiga Doris aceitou o meu convite para a minha viagem a Índia e que nesta viagem está me explicando absolutamente tudo. Eu sigo rigorosamente todos os gestos e presto muita atenção em todos os movimentos dela e faço muitas perguntas. Seria muito mais difícil sem ter alguém para explicar tantos rituais, simbologias e procedimentos que existem na cultura indiana, é muito difícil e tem milhões de simbologias. Nada como uma expert e professora de meditação indiana para agregar muito valor ao nosso grupo, foto abaixo (Indiano, Ronaldo, eu, Mário e Doris)!
 
Uma coisa bastante interessante da minha nova amiga Doris é que ela morou na Índia em 1994 e agora depois de 20 anos ela tem uma visão das grandes transformações que aconteceram, principalmente em Mumbai onde ela já conhecia muita bem, já que morou muito perto dalí.
 
 
Eu precisava fazer essa introdução porque tudo o que vou relatar está sendo desse grande aprendizado que estou tendo com minha nova amiga. Todos os dias desde que cheguei a Índia eu estou aprendendo bastante, basicamente minhas férias são aulas diárias in loco sobre cultura, religião, divindades, gastronomia, temperos e comportamento indiano. Vou tentar na medida do possível dividir um pouco aqui no blog todo esse aprendizado, embora talvez ainda vai ficar faltando muita coisa, mas entendam que é a partir de alguém que ainda está aprendendo, um ponto de vista do momento. Estou anos luz de distância de ser um especialista em cultura indiana, mas na medida do possível vou escrevendo minhas singelas impressões. Se alguém que conhece bem a cultura indiana ver que escrevi bobagens, me perdoa e se possível comente para que eu possa refletir melhor.
 
Até o próximo post!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A caminho das Índias!

Estou na estrada do Rajastão, um dos estados mais turísticos e famosos da Índia.  Agora exatamente estamos a caminho da cidade de Uddaipur e vai ser a primeira cidade que vamos ficar 2 dias numa mesma cidade. Até agora desde que saímos do Brasil dormimos cada noite em um lugar, estou me sentindo meio gipsy...cigana rsrsrsrsrs Depois de 10 dias viajando também me sinto mais segura para escrever um pouco dessa maravilhosa experiência na África e na Índia!
 
Os amigos mais próximos sabem o quanto eu adoro um planejamento, de viagens então nem se fala, abaixo é o mapinha que fica na minha sala onde faço meus planejamentos! Mas também amo os imprevistos de viagens, acho que é uma das coisas que fazem mais sentido ainda numa viagem. Nosso primeiro imprevisto começou logo no check in no aeroporto em São Paulo quando a atendente nós informou que devido a um atraso iríamos perder a conexão de Addis Ababa na Etiópia para Mumbai e teríamos que dormir na Etiópia e esperar 24 horas pelo próximo vôo. Resultado: perdemos um dia em Mumbai mas ganhamos um dia em Addis Ababa! Ou seja, tive a grande oportunidade de passear um dia na capital etípope, um presente de natal bastante inesperado mas que amei conhecer!
 
O mais antigo ancestral humano também foi encontrado lá, é de uma mulher e se chama Lucy e na foto estou na entrado do museu que explica toda a importância da arqueologia da Etiópia para o mundo, foi sensacional conhecer esse museu; Outra coisa interessante nesse país, o idioma na Etiópia é o aramaico, o idioma de Jesus! Parece que os vestígios da arca de Noé foram encontrados na Etiópia, me senti meio no início de tudo.
 
Assim que desembarcamos no aeroporto na Etiópia e tivemos que emitir nosso bilhete para o dia seguinte e pegar o shuttle para o hotel sentimos o que é realmente o atendimento nos países africanos. Amigos ja tinham me dito como eram as coisas na África. Ninguém respeita a fila, todos se aglomeram no balcão jogando o bilhete para a atendente. Eu já sabia que era assim e não tinha outro jeito a não ser nos espalharmos até conseguir ser atendido.
 
O mais legal dessa experiência foi ver a reação de 2 ingleses nessa confusão. Um deles gritava no balcão dizendo que perdeu a conexão para o Quênia e o transfer de 500 dolares para o Kilimanjaro e exigia que a cia aérea esse valor. O outro inglês deu um grito quando dois africanos entraram na frente dele. A fila que os dois ingleses estavam eram da business class. Nós brasileiros na fila dos passageiros de classe econômica acabamos sendo atendidos primeiro que os ingleses! Demos muita risada! Mas eu entendo porque esses ingleses se estressaram, na Europa em geral tudo funciona tão perfeitinho que é um choque ver aquela bagunça num aeroporto africano! 
Durmimos num hotel bem bacana em Addis Ababa e no dia seguinte contratamos um motorista para dar uma volta pela cidade. A ideia inicial era pegar um taxi que nos deixasse na praça central e fazermos um tour a pé sozinhos e depois contratar outro taxi para nos levar de volta ao hotel! Depois de meia hora pudemos entender porque o motorista não queria nos deixar sozinhos e dizia que ele nos levaria para os principais lugares. Não dava mesmo para ficar sozinhos, nós chamávamos muita atenção e mesmo no carro as pessoas vinham nos pedir dinheiro toda hora! Quando saíamos do carro também, todo minuto nos seguiam. É muito triste ver as crianças pedindo dinheiro, meu coração ficou partido todas as vezes que uma criança vinha! Esse assédio de pessoas pedindo dinheiro é o tempo todo mesmo, não tem um minuto que ficamos sem ser abordados. Dentro do taxi as pessoas vinham batendo na nossa janela...foi bem chocante isso!
Acho que toda vez que alguém falar não pra mim, nao vou ficar nunca mais triste depois de ter que falar não para todas essas crianças etíopes! Elas faziam gesto de que era para comer mas víamos os adultos ao lado pressionando as crianças...é bem triste!
Pude perceber que infelizmente não conseguimos mudar a natureza das coisas. Sei lá, as coisas são como elas são e não tem nada naquele momento que eu possa fazer efetivamente para mudar a vida daquelas crianças e daquelas pessoas. Ficou muito claro pra mim uma pobreza escancarada por todos os lados. Muita poeira, sujeira, pessoas descalças aos montes, nada similar no Brasil que eu tenha visto. Abaixo estão Mário, Doris, eu e meu irmão Ronaldo em frente a universidade de Addis Ababa.
Terminamos nosso tour na principal catedral da cidade, ortodoxa. Chegamos exatamente durante uma cerimônia toda falada em aramaico. Homens e mulheres ficam em lados opostos. Todas as mulheres usam véu branco. Nós tivemos que colocar o véu! Para quem chega atrasado não é permitido entrar no templo e a pessoa acompanha do lado de fora porque os autofalantes ecoam para fora da igreja também.
Depois de um determinado momento uma senhora me convidou para entrar e pude ver o altar típico de uma igreja ortodoxa. Estou gostando cada vez mais das igrejas ortodoxas e acompanhar uma celebração em aramaico foi bem emocionante. Parece que é o único país que se fala o aramaico! 
 
Quando chegamos no hotel ainda demos uma volta até um pequeno Shopping e um mercado. Fomos seguidos, as pessoas pedem dinheiro toda hora mas nada nos aconteceu. No mercado fomos direto na parte do café, pra quem não sabe a origem do café, a primeira muda de café veio da Etiópia! Não poderia ir embora desse país sem levar um pacote de café típico da Etiópia já que gosto tanto de café.
 
E assim foi nossa rápida visita a Addis Ababa! Tudo bastante surpreendente e absolutamente diferente de tudo que já vi antes, deu pra sentir um pouco do que é essa triste realidade africana. A noite embarcamos e seguimos rumo a maior cidade da Índia: Mumbai. Como sou uma eterna apaixonada por megacidades, foi a melhor maneira de terminar o ano de 2013! Sobre a Índia, aguardem o próximo post! rsrsrsrs
 
Namastê amigos!
 
PS.: Escrevi esse post no iPod dentro de um carro passando por estradas tortuosas e buracos...fiquei até tonta, mas consegui escrever! Espero que vocês curtam o post!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Os melhores momentos de 2013

 Esse vai ser o último post do ano e decidi escrever uma retrospectiva com fotos de lugares e pessoas que me marcaram muito esse ano.
 
Meu ano começou de 2013 em Cartagena no mar do Caribe, nos primeiros dias eu estava sozinha e nessa foto ao lado eu estava no intervalo de um mergulho e outro. Sou apaixonada por praias e a prática do mergulho me renova totalmente as energias. Adoro viajar sozinha, mas logo meus amigos Mário e Alina chegaram para desvendar uma parte do Caribe comigo.
 
Após essa paisagem caribenha eu me aventurei novamente no inverno americano com meus amigos Mário e Alina. Não poderia deixar de registrar registrar que uma super coincidência aconteceu em NYC, sem combinar, eu e minha amiga argentina Milly estaríamos no mesmo dia na big apple. Foi uma honra enorme encontrar minha grande mestre que me ensinou  e me inspirou muito sobre viagens afora. Aliás quem me incentivou muito a conhecer NY foi a própria Milly num quarto de hostel no Chile em 2006. Foi sensacional nosso jantar no Hard Rock Café esse ano, minhas amizades feitas em viagens são muito especiais pra mim! Agora vou ter dicas preciosas da Austrália e Nova Zelândia by Milly!!!!

Após uma promessa que fiz, finalmente fui conhecer o Canadá, país onde mora minha grande e queridíssima amiga Silvia. Difícil explicar o quanto conhecer Toronto me fez bem, parecia que o lugar já era meu, me senti absolutamente em casa apesar do inverno com temperaturas negativas. Silvia e Denis, obrigada pelo carinho e pela atenção em me levar para conhecer a cidade!

 

Depois de voltar de férias fui conhecer com meus queridos amigos da Geografia Ana, Clecio, Marquinhos e meu irmão o incrível e deslumbrante Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Minha proposta de conhecer os principais Parques Nacionais segue firme, vai levar uma vida toda para conhecer, mas a certeza é poder contar com amigos que topam as minhas maluquices!


 Em Maio, reuni amigos queridos e novos amigos a uma viagem para conhecer as incríveis cavernas do PETAR. Eu gosto tanto do PETAR e depois de tantos anos da primeira vez a sensação continua sendo surpreendente, mas sem dúvida ver a expressão de encantamento dos amigos diante das várias cavernas que visitamos não tem preço, é bastante gratificante. Obrigada a todos: Fernanda, Andreia, Juliana, Joyce, Adriana, Claudinha, Roberto e Rodrigo.

Abaixo relembro minhas queridas amigas da Argentina Milly e Moni e que dividiram momentos divertidíssimo em Paraty!



 

Ao lado deixo meu querido e profundo agradecimento a Cris Marroig, minha querida amiga carioca que não mede esforços em ajudar no que for preciso para concretizar uma ideia de maneira inteligente e inovadora. Sua amizade é muito especial Cris! Não tenho palavras o suficiente para agradecer essa querida amiga.

 
Relembro aqui minha nova companheira de viagens, Thaís que topou meu convite para conhecer o Rio de Janeiro, é sempre uma alegria apresentar um lugar que amo para uma amiga tão querida.
Para finalizar, lembrarei aqui mais uma vez minha amiga Fernanda que me apresentou a Ana e a Paty, as duas com um astral elevadíssimo, além de terem me apresentado a escalada, um esporte que eu tinha curiosidade em conhecer. Graças a Fê conheci também a Doris que será uma das minhas cias para meus próximo destinos: Índia e Nepal 
 
Vou tentar escrever minhas impressões sobre essa viagem aqui no blog!
Talvez eu tenha esquecido alguém mas todos os amigos sabem o quanto os quero muito bem e estarei sempre a disposição para tudo, inclusive para novas aventuras! Um excelente final de ano a todos e que venha 2014. Mandarei energias positivas da Índia e do Nepal a todos!

PS.: Vou deixar indicado aqui um blog sensacional do meu queridíssimo primo espanhol Miguel que tem um blog incrível sobre análise de filmes:
http://episodiosdesdeunabutaca.blogspot.com.es/