sexta-feira, 17 de abril de 2020

Fazer perguntas e lidar com as verdades!

Olá, me apresento na forma de avatar, criei vários eus na forma de desenho, espero que gostem! Sento nesse piso de madeira com o mar e um morro atrás para falar sobre o tema do título do post.

Vocês já se perguntaram por que é importante fazer perguntas? Minha pergunta parece redundante, mas tudo bem, vamos lá.

Eu me faço perguntas o tempo todo e muitas vezes mentalmente, silenciosamente e o meu eu lá dentro de mim costuma responder e me ajudar nos meus próprios questionamentos. Dizem que isso se chama autoconhecimento, ok, simbora!

Ano passado em Outubro, eu comecei a me perguntar por que eu como carne? por que eu gosto de carne? Eu cresci a minha vida toda (38 anos) comendo carne como um hábito e acreditando que é saudável e que faz bem para minha saúde. Mas aí comecei a me perguntar, será que me faz bem mesmo? Aí comecei a pesquisar, assistir documentários, ver os pontos de vistas distintos desde cientistas até espiritualistas. Me lembrei também que no Japão eu praticamente não comi carne e fiquei super bem.

Aí cheguei a uma conclusão pra mim mesma vindo do meu eu interior: Ok Iara, você já comeu carne o suficiente, que tal tentar reduzir e até retirar o consumo de carne vermelha? Aí eu pensei, ok, carne vermelha vou te superar e ver outras alternativas proteicas. Dessa reflexão até hoje, foram 6 meses sem carne bovina! Me sinto verdadeiramente muito melhor com essa mudança.

Mudando o Percurso : O Que é a Matrix?Essa semana assisti Matrix, a primeira versão, um filme sensacional. No filme há duas dimensões sendo essa que vivemos que achamos que é o real, mas na verdade é ilusório e o mundo real onde as pessoas comem uma pasta nutritiva. Tem uma passagem que mostra um personagem que conhece as duas dimensões e quando está num restaurante ele fala comendo uma carne: "como é bom viver na ignorância" e aí ele bota a carne na boca. Sensacional essa passagem!

Pensando no filme eu poderia ir para dimensão do Keanu Reeves comer a pastinha nutritiva ao lado dele...hehehe

Essa reflexão toda veio de uma frase incrível do Carl Sagan que eu li recentemente:
Carl Sagan: Cosmos


"Podemos julgar nosso progresso pela coragem dos nossas perguntas e pela profundidade
de nossas respostas, nossa vontade de abraçar o que é verdadeiro ao invés daquilo
que nos faz sentir bem." Carl Sagan

Claro que eu usei um exemplo bem simples do meu cotidiano e o Carl Sagan foi um cientista fenomenal
que se questionava bastante e questionava muito o seu mundo ao redor. Eu vejo muita beleza no
termo "coragem das nossas perguntas" por que imaginem quantas pessoas não tem coragem
de fazer perguntas? Vai saber como lidar com as respostas?

Simplesmente há muitas pessoas que aceitam tudo do mundo e a vida como ela é e sempre foi. Algum
problema nisso? Eu penso que o outro não precisa fazer como eu e da mesma forma
eu não tenho que fazer como o outro. As pessoas não precisam pensar sempre de uma mesma
maneira, gostar dos mesmos cantores, ler os mesmos livros, assistir ao que a grande maioria gosta,
estudar sobre o mesmo assunto...desde que seja verdadeiro para você mesmo.

Se fosse permitido viver dois tipos de vida, uma que é verdadeira e outra que é de mentira, qual vocês
escolheriam? Apesar das pessoas gostarem da verdade, eu tenho uma grande impressão que no fundo,
bem no fundo as pessoas gostam de uma vida de mentiras. Há pessoas, há empresas, há países que
cultuam a mentira como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Trabalhando muito anos com crianças eu sempre aprendi com a verdade delas, o quanto é
importantíssimo e fundamental a verdade, por mais dolorida que ela seja. Também cresci num ambiente
de muita verdade e o choque vem quando nos deparamos com um mundo de muitas mentiras e pessoas
que valorizam e não se incomodam nem um pouco com a mentira.

Eu sempre entrei em choque com aquilo que não é verdadeiro a minha vida inteira!



Tudo isso para dizer que tenho pensado muito nessa quarentena e me feito as seguintes perguntas:
"Que mundo eu quero viver pós pandemia?"
"Quais amizades que serão verdadeiras e importantes na minha vida?"
"Que estilo quero verdadeiramente traçar para minha vida?"
"Que práticas preciso fazer para me sentir mais verdadeira comigo mesma?"
"O que preciso fazer para ser melhor para as pessoas ao meu redor?"

Uma coisa já comecei a fazer, algumas amizades tive que tirar, infelizmente, do meu campo visual das
redes sociais. É super dolorido, mas não tem jeito, a verdade é dolorida e é preciso aceitar que há
pessoas muito maldosas e ruins na essência que não enxergam o mal que fazem e a ignorância
em que vivem, é a vida!
A dimensão da ignorância é opcional e definitivamente nunca será a minha! Vou sempre abraçar o que
verdadeiro!

Obrigada Carl Sagan, Matrix, alunos, amigos verdadeiros, amigos falsos e à quarenta que me colocou
em reflexão!

quinta-feira, 19 de março de 2020

Isolamento em casa, vivendo como um Hikikomori

Resultado de imagem para isolamento social coronavirusSaudações aos hikikomoris que estão lendo esse post! Essa palavra japonesa significa "ISOLADO EM CASA".
Eu nunca pensei que ia viver para ter a experiência de um hikikomori que normalmente tem de 13 a 39 anos e optaram por se isolarem da sociedade no Japão. O mais incrível sobre os hikikomoris é que o diretor de cinema coreano Bong Joon-Ho, que ganhou o Oscar esse ano pelo filme Parasita fez um dos três curtas em 2008 chamado Tokyo! O terceiro curta é do diretor coreano e sempre ficou marcado na minha memória sobre a vida dos hikikomoris.

Resultado de imagem para hikikomori tokyo!O que me fascinou no curta "Tokyo!" foi exatamente a sutileza e genialidade do diretor contar como é a vida de um hikikomori. Eu não sabia nem o que era um hikikomori, depois do filme fiquei sensibilizada com as pessoas que optam por se isolarem do mundo. Sabe quando um filme fica marcado na memória? Esse foi o caso. Talvez dê para achar o curta pela internet, eu cheguei a assistir alguns anos atrás.

Bom, resumindo aqui dando o spoiler, o personagem vive dentro de casa em Tokyo e raramente ele sai. O mais fascinante é que mostra a cidade de Tokyo totalmente vazia, tem uma parte que mostra o personagem atravessando o cruzamento de Shibuya totalmente vazia, algo inimaginável.

Resultado de imagem para sao paulo vazia 2020O fato é que estamos todos vivendo ou nos acostumando a viver isolados por um tempo até o surto de covid 19 reduzir no Brasil. Morando em São Paulo, já é possível ver uma São Paulo infinitamente mais vazia, com poucas pessoas circulando, exceto nos mercados. Temos que nos adaptar a essa nova experiência, vou trabalhar a distância por exemplo. Infelizmente não é todo mundo que vai conseguir trabalhar a distância por n razões e contextos.

Nesse momento dá pra perceber o quanto ainda tem pessoas egoístas e desesperadas achando que precisa estocar alimento, itens de limpeza e álcool gel. Ao mesmo tempo também tem atos de solidariedade para com os mais idosos para fazer compras no mercado.

Sou fascinada pela epidemiologia, tenho relido alguns livros interessantes que ficará para o próximo post!
Resultado de imagem para solidariedade
Cuidem-se, sejam mais humanos, mais amorosos, mais sensíveis, mais solidários! Se entendermos que  cada um é parte de um todo, o mundo poderá evoluir um pouquinho! Sejamos hikikomoris por um tempo, vai passar se todos cooperarem!

Aloha!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Biblioteca: uma relação de amor, incentivo, superação e aprendizado

Resultado de imagem para biblioteca cidade de sao pauloEsse post me ocorreu porque eu troquei o layout do blog com vários livros ao fundo e eu amo livros, decidi escrever sobre bibliotecas e livros. A foto ao lado é a biblioteca cidade de São Paulo que fica no local onde antes era o presídio do Carandiru e hoje é esse lugar lindo ao lado do metrô. Há computadores, jogos, livros, revistas,  mesas, sofás e um acervo imenso. Essa biblioteca não deve absolutamente nada para nenhuma biblioteca que conheci em outros países. Essa e a biblioteca do Parque Vila Lobos são públicas e administradas pelo estado. Fácil de se cadastrar e acessar inclusive revistas internacionais.

Eu aprendi na minha escola pública municipal Duque de Caxias a frequentar uma biblioteca. Quase todos os meses íamos na biblioteca para escolher um livro ou escutar uma história e  fazer atividades de escrita. Eu adorava esses momentos. Vocês acreditam que um dia falaram de um concurso e iam escolher um texto da sala, o meu foi selecionado, mas não avançou muito nas outras fases. 

Lembro também de uma vez um texto meu ter sido selecionado para ser colocado na parede naquele papel bem enorme para todos da sala lerem, morri de vergonha. A vergonha era porque escrevi uma história de amor por um menino que eu achava lindo, ele se chamava Jefferson e estudava na sala do meu irmão. Na minha história, fizemos pic nic no Ibirapuera num domingo. Meu pai me levava para fazer pic nic no Ibirapuera e isso depois de muito tempo descobri que é bem paulistano. Na minha historinha obviamente não tinha meu pai...hehe Não lembro como foi a narrativa da minha história....mas quando vi enorme na parede colocado pela professora, achei super legal.

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Sim, estimular a leitura desde as séries iniciais é fundamental para o desenvolvimento de qualquer criança. As crianças precisam ler, escutar histórias, criar suas próprias histórias e o resultado disso tudo foi uma semente de amor que nasceu pela leitura.

No meu ensino médio, escola pública estadual Firmino de Proença os professores pediam trabalhos que tinham que ser pesquisados obrigatoriamente na biblioteca. Formar um grupo e organizar para ir um dia à tarde pós aula era um super acontecimento, envolvia pegar ônibus, metrô, chegar na biblioteca, pesquisar, tirar cópias, sentar nas mesinhas, discutir sobre o assunto e principalmente dar muita risada com minhas amigas de escola. Olha, uma sensação de liberdade e ao mesmo tempo de conforto.

Aí quando chegou na fase do cursinho, minha relação com a biblioteca foi definitivamente assumida. Foi na biblioteca do Centro Cultural Vergueiro que eu decidi que ia aprender e entender física. Eu sofri demais quando não passei na USP na minha primeira tentativa e física tinha sido meu ponto mais fraco. Eu peguei todos os livros de física e achei um que tinha as respostas, então eu resolvia e verificava se estava certo com todos os cálculos. Ter feito isso me deu uma segurança tão grande no meu aprendizado que até hoje quando decido entrar na biblioteca, eu só saio quando aprender o que eu me proponho a aprender.

Quando eu viajo e sem querer comento com alguém que não posso falar porque estou na biblioteca, algumas pessoas se assustam comigo e já escutei: "você está viajando e vai na biblioteca?" Parece até que sou um extraterrestre, mas eu nem ligo porque quem mais se beneficia com a leitura de livros da biblioteca, sou eu mesma e meus alunos que aprendem com o que eu aprendo. Algumas muitas vezes eu nem comento porque eu sei que muitas pessoas não entendem, mas sou viciada em bibliotecas.

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É muito triste escutar jovens pós graduandos dizer que não gosta de estudar numa biblioteca, essa fala me assusta bastante. Eu entendo que muita coisa tem na internet, mas o ambiente de biblioteca é único, enriquecedor e empodera aquele que senta e se propõe a aprender. Mas fico feliz quando por exemplo ano passado uma aluna minha quando passamos pela biblioteca Mário de Andrade, depois de uns dias ela veio me perguntar mais detalhes de como frequentar e onde ficava. As crianças e jovens aprendem com o exemplo e hábito, se forem estimulados, a relação com a biblioteca acontece, mas se os adultos não frequentarem, as crianças e jovens não vão se sentir atraídas naturalmente. O estímulo vem de nós adultos, da nossa prática e digo mais, é um passeio surpreendente com um custo zero e aprendizado máximo.

Então minha  sugestão é tire um dia para conhecer uma biblioteca da sua cidade ou que existe perto da sua casa seja em qual país você vive. Eu tenho certeza que você pode se surpreender com a possibilidade de se apropriar  de materiais que podem fazer você ver o mundo de uma outra forma.

Eu tenho algumas histórias pessoais engraçadas e desesperadoras que já vivenciei em bibliotecas em alguns lugares do mundo, nos próximos posts eu conto mais.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Ter ou não ter certeza, eis a questão!

Resultado de imagem para certezaAno passado assisti algumas aulas da pós que ainda reverberam até hoje e uma delas falava exatamente desse ponto, sobre a certeza. Uma fala que ficou marcante foi: "Se você tem certeza do seu projeto e dos resultados, você não tem um projeto". Fiquei tão aliviada, me tirou toneladas da costas. Seja qual projeto você tenha na sua vida, ter a certeza não é saudável, causa um desconforto muito grande. Vamos ver se com exemplos consigo explicar melhor a ideia.

Eu decidi que esse ano ia voltar a correr e na minha primeira corrida de 6K que eu havia me inscrito com mais de 1 mês de antecedência, tracei um projeto de treino para chegar no dia e correr super bem. Aí na prática meus treinos ficaram capengas e quando me vi um dia antes da corrida, pensei...é não consegui dar conta do meu projeto para essa corrida, mas o que vou fazer? Corri assim mesmo e sabe o que eu percebi? foi maravilhoso, curti, me senti bem, terminei bem e feliz. Apesar de eu não ter cumprido meu projeto inicial, deu certo no final.

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A certeza não é o mesmo que probabilidade, uma pessoa pode estar certa sobre algo falso e estar errada sobre algo verdadeiro. Parece confuso né, mas é isso mesmo. Ter a certeza de um projeto pode causar bastante sofrimento porque no decorrer do caminho podem ocorrer variações infinitas. Lembro de uma amiga querida que migrou para outro país com duas filhas com a certeza de que um país desenvolvido seria bom para elas e na prática o que aconteceu? Não foi nada do que ela havia pensado inicialmente, houve muito sofrimento mas também muita superação, uma história linda. Mas é isso o interessante de viver, aprender que não faz bem ter certeza de nada.

A imagem pode conter: atividades ao ar livre e natureza
No final do ano passado planejei conhecer o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (foto ao lado) havia planejado para ir sozinha, aluguei carro sozinha em Montes Claros e dirigi 320 Km sozinha. Claro que existia o medo e a incerteza, nunca havia viajado com carro assim sozinha, me senti super conectada eu e o mundo. Eu não conhecia nada da estrada, da pousada, do parque. Uma viagem planejada na total incerteza e o resultado dessa viagem foi uma maravilhosa surpresa e encantamento, eu não fazia a menor ideia de que a viagem seria tão maravilhosa assim.


Resultado de imagem para medo divertida menteTeria mais exemplos para explicar que ter certeza não parece ser um caminho bom e saudável. Quantas vezes escutei pessoas falarem que estão determinadas a ir a um país só para juntar dinheiro e depois voltar ao Brasil para fazerem o que realmente gosta...aí na prática, as pessoas vão ficando e protelando o projeto. Tem algum problema nisso? Nenhum, aliás isso é muito comum acontecer isso, vai ficando para ver o que acontece.



Minha experiência no Japão não foi nada do que eu havia planejado, eu tinha tantas certezas sobre tantas coisas e situações, mas aconteceu tudo totalmente diferente. Foi muito mais positivo ser apresentada ao país "desenvolvido" com todos os pontos positivos, mas também com todos os pontos negativos. Poder ser apresentada ao lado B de um país me fez deixar as minhas certezas na lata do lixo.

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Amo o Brasil e todos os 34 países que tive a oportunidade de conhecer e aprender, me deixou com uma certeza de que tudo pode ser o que não é. A música do Titãs ajuda nessa entendimento:

"O Que não é o que não pode ser que
Não é o que não pode
Ser que não é
O que não pode ser que não
É o que não
Pode ser
Que não
É"

Não tenho certeza se você que chegou até aqui gostou dessa reflexão...hehehe

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

O que aprendi, no Havaí: Natureza, Amor e Equilíbrio


O título do post até formou uma rima, é que essa semana fiquei pensando e comemorando para mim mesma um ano que conheci esse arquipélago isolado no oceano Pacífico. Sempre assisti documentários e reportagens sobre o Havaí e me chamava a atenção a maneira pela qual as pessoas falavam de uma energia....um "algo diferente" que só tinha no Havaí. Os vídeos da Fernanda Keller no Havaí em especial me fizeram entender um pouco do amor que ela tem pelo Havaí, mas só pisando lá que tudo fez sentido.

Bom, do ponto de vista prático e econômico é uma viagem cara e distante do Brasil, mas morando no Japão...a coisa muda de figura no quesito distância e ter uma amiga que te hospeda numa varanda maravilhosa com vista para a cratera do Diamond Head como na foto ao lado, aí a viagem fica perfeita. Eu pude perceber que os japoneses adoram passar férias no Havaí, é impressionante a quantidade de japoneses lá. Há uma versão japonesa do Havaí que se chama Okinawa e que inclusive tem essa denominação, "Okinawa - o Havaí do Japão". O fato é que os japoneses gostam e vão muito ao Havaí, eu vi muitos deles, por instantes até achava que estava no Japão. Um brasileiro me falou que eu tinha que conhecer Okinawa senão eu não teria visitado o Japão...mas por que não conhecer o Havaí de verdade?

 Outro fato interessante, não vi brasileiros que vivem no Japão tendo como destino o Havaí e nem ao menos é destino típico deles por várias hipóteses que eu imagino: talvez por ser um destino caro, talvez pelo fato de ter que ter visto americano e talvez porque muitos brasileiros no Japão estão com família. As prioridades dos imigrantes brasileiros no Japão são outras. Porém, visitar o Parque da Universal em Osaka já é mais popular entre os brasileiros que tem filhos, faz mais sentido.

Agora o Havaí, esse lugar faz todo o sentido para Geoiarinha e conhecer esse arquipélago americano foi mágico, as pessoas que conversei, as pessoas que eu observava nas ruas..era visível que existia algo mais próximo da felicidade plena cercada de praias lindas, vulcões e florestas. Fiquei muito impressionada de ter conhecido em 12 dias mais especificamente só a capital Honolulu. Isso tudo foi possível porque o universo conspirou a favor, ter uma amiga que mora em Honolulu e te convida fazendo propaganda de milhares de hikings e trekkings, foi como criptonita, não pude deixar essa parte do globo sem conquistar com meus próprios pés, olhos e coração aberto. Sou muito grata a Mi do Havaí que me recebeu junto com o marido e me apresentou tão maravilhosamente as praias e lugares, as indicações foram as melhores possíveis. Tenho gostado muito de conhecer lugares onde amigos moram, é outra categoria de viagem. As dicas de quem mora não cabem num guia, são coisas bem específicas e singulares.

As recomendações para quem vai para Honolulu é alugar carro, minha amiga me indicou também, mas como esqueci minha carteira de habilitação do Brasil....tive que dar o meu jeito geoiarinha de ser: Transporte público e sola de tênis além de mochilinha, óculos, boné e protetor solar. Foi ótimo, há um passe de ônibus que custava 5 dólares e você podia usar a vontade um dia inteiro atravessando toda a ilha de Oahu. Quando eu comecei a analisar os vários mapas das regiões que o sistema que se chama "THE BUS" que atende toda a cidade de Honolulu, fiquei impressionada. O horário dos ônibus eram bem pontuais nos pontos, ar condicionado e poltronas confortáveis.

Me inscrevi no "meetup" um site de eventos que acontecem na cidade e um deles era de um grupo de corredores que estavam no treino final pré-maratona do Havaí. Fiquei morrendo de vontade de correr essa maratona, me ascendeu aquele desejo de um dia voltar a correr os 42 Km em Honolulu. Quem sabe no meu projeto 40 ou 42 anos de idade, 42Km em Honolulu! Conheci uma lenda da maratona, um senhor que não me lembro o nome, que sempre termina em último lugar e ele disse que não precisa ter pressa em terminar, precisa terminar em paz, tranquilo e ser feliz. Não é demais isso? No melhor jeito Aloha de ser, foi aí que meu desejo voltou a pulsar. Além disso, nesse contexto todo, conheci duas pessoas maravilhosas, uma americana da Califórnia e um americano que vive em Honolulu nesse treininho de corrida. Eles me levaram para conhecer muitos lugares maravilhosos  e são apaixonados por trilhas assim como eu. 

A cia aérea de low cost Air Asia opera com vôos diários de Osaka para Honolulu e pelo que pude perceber é a mais barata dependendo da época do ano, o meu ticket de ida e volta custou 300 dólares sem a taxa da mala. Não despachei bagagem, fui apenas com uma mochila nas costas de 7 Kg, esse é o limite máximo da bagagem de mão da Air Asia. Foi um exercício de levar apenas o necessário e deu super certo. Eles pesam sua mochila para ver se está dentro dos 7 Kg, no Japão eles são rigorosíssimos nesse quesito, ao menos a Air Asia foi.

Eu não aluguei carro, mas a americana que conheci tinha alugado carro por USD 15 por dia em Honolulu, achei ótimo. Numa próxima vez se eu não esquecer a carteira de habilitação, vale a pena alugar carro.

A comida havaiana é algo apaixonante, não achei tão cara quanto eu imaginava, não sei também se minha referência de custo de vida no Japão influencia, mas tem preços bem pagáveis e uma diversidade gastronômica absurda. Uma coisa que gostei muito nas praias do North Shore são os lugares tipo quiosques de comida saudável, sanduíches maravilhosos, suco natural olhando aquelas praias lindas, uma atmosfera havaiana mesmo. 

Ainda fui num show do Eagles com show de entrada do Jack Johnson no Aloha Stadium. Então, fazendo um balanço geral, conhecer o Havaí foi mais surpreendente do que imaginei anteriormente. O termo ALOHA é lindo, você escuta a todos os momentos como saudação, agradecimento, despedida. Para os habitantes originários dalí esse termo se relaciona a uma conexão com a natureza e transmite um amor para equilibrar a vida. Então falar aloha está muito ligado a transmitir amor para as pessoas do tipo, seja feliz, você vai conseguir independente dos obstáculos.

Essa conexão que existe no Havaí com a natureza será inesquecível para mim, fiquei apaixonadíssima por essa conexão. É uma energia que não tem em outro lugar, mais uma vez, é difícil explicar em palavras mas quando você está lá, você simplesmente sente. Meu ano sabático de 2018 não poderia ter fechado de um jeito diferente. Lá no Havaí entendi que trabalhar, cuidar da saúde, se divertir e ser feliz são possíveis. A vida não pode ser só rotina de trabalho exaustiva por um dinheiro no final do mês que serve para comprar coisas e mostrar para os outros o que você tem e faz. O Havaí me ensinou e ainda continua me ensinando que é importante ter equilíbrio na nossa vida e ser feliz! O lance de não ter pressa também me chamou a atenção, as coisas vão acontecer no tempo certo.

Essa pausa que fiz no Japão foi maravilhosa até para eu entender melhor o Japão, o quanto falta Aloha para pessoas. Ainda bem que muitos vão lá aprender assim como eu fui! Sinto que terei que voltar ao Havaí para aprender mais....hehehe Preciso entender melhor esse equilíbrio! Espero que tenham gostado desse post e desejo para quem chegou até aqui ALOHA!
Natureza, Paz e Amor ...o que mais precisamos?

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Para que serve a educação? A resposta de um índio guarani


Resultado de imagem para indigenas desenhoVou seguir escrevendo sobre o aprendizado que venho tendo com os indígenas recentemente. Os povos indígenas do Brasil, na minha opiniã, tem ideias e concepções que são pouco disseminadas entre nós que vivemos na cidade .Mas é claro que Geoiarinha está aqui para ajudar nessa tarefa em entender melhor as ideias indígenas.
A pergunta do título do post foi dada por Carlos Papá, um pajé e cineasta da aldeia Guarani Mbya. Ele mesmo, numa palestra, fez essa pergunta e respondeu:
A EDUCAÇÃO SERVE PARA PROTEGER O SEU PRÓPRIO SER

Escrevi em letras garrafais e em negrito porque achei sensacional essa resposta, simples e direta. Segundo esse índio, os indígenas estão sempre buscando novas formas de entendimento e ele tem plena clareza que ele não sabe nada. Ele acredita que as gerações seguintes vão sempre conhecer mais que ele

Não são incríveis essas definições? Eu já escutei de pessoas adultas que trabalham muitas horas me perguntar se vale a pena estudar. Ter essa dúvida já é um sinal que as sinapses estão acontecendo no cérebro, ter dúvida é importante. O problema maior está em ter certeza, quando alguém tem a certeza que não vale a pena estudar, aí aconteceu a necrose das sinapses e nesse caso o ser pode ter morrido mesmo estando vivo. Ou então ter a certeza que só uma única e definitiva decisão, basta. Muita gente só enxerga apenas um único caminho.

Resultado de imagem para decisões desenhoA educação passa pelo estudar e isso não é a certeza de sucesso, de emprego bom, de salário alto, mas o teu cérebro vai fazer mais conexões e as relações que estabelecemos com as pessoas e com o mundo se ampliam. As decisões, quando se incorpora esse conceito de educação, tendem a ser mais assertivas, ou seja, a pessoa tende a ser mais confiante e mais segura de si. Ser mais confiante e mais seguro de si mesmo não é ter a certeza na forma binária de certo ou errado, mas tem muito mais a ver com a segurança da tomada de decisão sem sentimento de culpa.

Quantas vezes em muitas decisões da minha  vida eu escutei frases do tipo: "oh, mas você vai fazer tal coisa dessa maneira?" Eu costumo responder quando eu tenho muita clareza da situação, sim estou segura da minha decisão ou que não significa que eu tenha certeza. Estou longe de ser a pessoa mais segura do mundo nas minhas decisões, eu tenho dúvidas, eu me questiono, mas principalmente eu me permito escutar diferentes posicionamentos para pensar melhor sobre as decisões que aparecem na vida. E se por acaso eu tiver tomado uma decisão que não foi tão boa quanto eu esperava, tudo bem, sempre é possível consertar e recalcular a rota a ser seguida. Sabe aquela voz do google maps de quando você erra o caminho e ele fala: "recalculando", acho que é assim que eu me sinto sempre....recalculando sempre a minha rota.
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Por isso que eu acho que os índios são muito sábios e tem uma compreensão de mundo muito plural, dinâmica e simples. Os índios que estou conhecendo estão me surpreendendo com tamanha genialidade e simplicidade e na medida do possível vou trazendo aqui para reflexão.