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domingo, 19 de março de 2023

A (r)existência do teatro

 A (r)existência do teatro


Teatro vem do grego "théatron"
Lugar onde se vê representações
dos mais diversos assuntos e situações
em diferentes tempos e espaços

Um jeito antigo das sociedades
refletirem sobre situações.
É a alma que vê, escuta e sente
Portanto, está viva e pensando
neste corpo operante da sociedade

A moral não é consenso
para todos da sociedade
e exatamente por isso
representações na forma teatral
aliviam a alma e
atualiza as necessidades morais

Teatro de Revista
Nunca tinha ouvido falar
Muito menos visto como era
Surgiu na França no XVIII
Popularizou no XIX
crítica, sátira, sensualidade
são representadas
para causar catarses
criar novas sinapses

São Paulo tem peças
com essas características
Revista Babadeira
Muitos babados sociais
formaram um lindo espetáculo
Social, crítico, engraçado e sensível

Gratidão ao elenco e à direção
Resistir para existir ou
Existir para resistir
Ecoar para as quatro direções
Na alma da cidade
Esperando da sociedade
O respeito à diversidade

Iara Rosa, Santa Cecília, São Paulo, 18 de Março de 2023.

sexta-feira, 17 de março de 2023

Passando pela Lapa


Passando pela Lapa

Hoje o plano era ir até a Lapa
em dois lugares,
um para comer
outro para o lar

Já na Lapa me pergunto
por que Lapa se chama Lapa?
Aguardo o semáforo abrir
enquanto me encanto
com a Serra da Cantareira

Vou à uma churrascaria,
churrascaria vegana, isso mesmo
enquanto eu espero meu prato chegar
uso o celular para matar
a minha curiosidade

Eis que descubro que
os jesuítas portugueses
rezavam uma missa anual
à santa portuguesa
Nossa Senhora da Lapa

Mas e antes dos portugueses,
como os indígenas chamavam?
"Emboaçava"
palavra em Tupi que significa
lugar por onde se "passa"

Continuo meu trajeto
fico maravilhada com
o Mercado da Lapa
não estava no roteiro
rumo à loja ponta de estoque
concluo meus objetivos
é hora de voltar à Liberdade

É Lapa,
você se chamava Emboaçava
Foi onde "passei" hoje!

Iara Rosa, Lapa, São Paulo 16/03/2023

Como São Paulo foi colonizada por portugueses, descobri que no município de Vieira do Minho, Norte de Portugal tem uma gruta que dentro tem uma Nossa Senhora da Lapa. Isso porque Lapa pode significar gruta ou caverna como mostrada na foto.

O fato é que essa Nossa Senhora da Lapa foi cultuada onde hoje em São Paulo é o bairro da Lapa. Não por coincidência há uma igreja católica na Lapa que se chama Nossa Senhora da Lapa.


Aí eu descobri também que o antigo nome de Lapa, dado pelos indígenas por "Emboaçava" é hoje o nome de uma rua na Mooca. Consultando o diconário de ruas de São Paulo obtive a seguinte informação sobre a Rua Emboaçava na Mooca:
Emboaçava: na língua Tupi, emboaçava significa "o lugar por onde se passa"; foi também o nome de um forte construído nas proximidades dos rios Tietê e Pinheiros, no atual bairro da Lapa, destinado a defender a antiga Vila de São Paulo no século XVI.


Então é isso, tudo de alguma forma conectando os nomes atuais com a história da antiga Vila de São Paulo, nossa hoje cidade de São Paulo.

domingo, 2 de outubro de 2022

Animação Pachamama - uma análise pessoal

 Saudações queridos leitores!

Sei que em tempos de tik tok, youtube, twitter as informações são express para que as pessoas se informem sem perder tempo. Eu sinto muito, mas meu blog é à moda antiga...escrevo e penso em cada palavra e imagem antes de postar.
Estou um tempo sem escrever aqui, mas reinauguro minha volta escrevendo sobre essa animação Pachamama disponível no Netflix.

A animação Pachamama foi uma grata surpresa porque conta uma parte da cultura andina da época dos incas e da invasão espanhola. Na minha época de escola, o tema da colonização espanhola e portuguesa sempre foi contada do ponto de vista que me fazia acreditar e normalizar a suposta colonização que hoje eu entendo como uma invasão.

Nesse sentido assistir essa animação traz um acalento ao coração por contar a história do ponto de vista que quem foi invadido. A cultura andina e sua relação com pachamama é de muito respeito e sabedoria. Mostra como é importante agradecer a colheita, intencionar desejos e ações boas para o bem da aldeia. A noção de coletividade é apresentada na animação e obviamente dentro dela, há pessoas que pensam de forma egoísta. 

 O fato é que eu fico feliz dos jovens poderem ter acesso a animações que contam uma história com a narrativa a partir da América, ainda que seja uma animação e eu não sei o alcance disso na mente dos jovens. Mas, só de saber que existe uma narrativa graciosa e ao mesmo tempo sensível no respeito à natureza já faz meu coração pulsar feliz num dia importante como hoje de eleição.

Resumo

(1) Por que a animação Pachamama vale a pena? Porque conta uma narrativa de uma coletividade na época dos Incas.

(2) Para quem se destina a animação Pachamama? Para crianças, jovens e adultos com o desejo de compreender um pouco sobre a relação de um povo com a natureza.

(3) Quais valores são apresentação na animação Pachamama? Valores éticos de respeito à natureza, gratidão à natureza e coletividade de um povo.

(4) Como os europeus são vistos na animação? Como os invasores gananciosos, egoístas e obcecados pelo ouro da América.

(5) O que a cultura Inca nos ensina? O respeito para com os nossos ancestrais, a observação e a importância de verdadeiramente respeitar a natureza pedindo licença e agradecendo por cada passo conquistado.

Para terminar, compartilho a mensagem do vídeo a seguir extremamente linda e sensível.


quinta-feira, 19 de março de 2020

Isolamento em casa, vivendo como um Hikikomori

Resultado de imagem para isolamento social coronavirusSaudações aos hikikomoris que estão lendo esse post! Essa palavra japonesa significa "ISOLADO EM CASA".
Eu nunca pensei que ia viver para ter a experiência de um hikikomori que normalmente tem de 13 a 39 anos e optaram por se isolarem da sociedade no Japão. O mais incrível sobre os hikikomoris é que o diretor de cinema coreano Bong Joon-Ho, que ganhou o Oscar esse ano pelo filme Parasita fez um dos três curtas em 2008 chamado Tokyo! O terceiro curta é do diretor coreano e sempre ficou marcado na minha memória sobre a vida dos hikikomoris.

Resultado de imagem para hikikomori tokyo!O que me fascinou no curta "Tokyo!" foi exatamente a sutileza e genialidade do diretor contar como é a vida de um hikikomori. Eu não sabia nem o que era um hikikomori, depois do filme fiquei sensibilizada com as pessoas que optam por se isolarem do mundo. Sabe quando um filme fica marcado na memória? Esse foi o caso. Talvez dê para achar o curta pela internet, eu cheguei a assistir alguns anos atrás.

Bom, resumindo aqui dando o spoiler, o personagem vive dentro de casa em Tokyo e raramente ele sai. O mais fascinante é que mostra a cidade de Tokyo totalmente vazia, tem uma parte que mostra o personagem atravessando o cruzamento de Shibuya totalmente vazia, algo inimaginável.

Resultado de imagem para sao paulo vazia 2020O fato é que estamos todos vivendo ou nos acostumando a viver isolados por um tempo até o surto de covid 19 reduzir no Brasil. Morando em São Paulo, já é possível ver uma São Paulo infinitamente mais vazia, com poucas pessoas circulando, exceto nos mercados. Temos que nos adaptar a essa nova experiência, vou trabalhar a distância por exemplo. Infelizmente não é todo mundo que vai conseguir trabalhar a distância por n razões e contextos.

Nesse momento dá pra perceber o quanto ainda tem pessoas egoístas e desesperadas achando que precisa estocar alimento, itens de limpeza e álcool gel. Ao mesmo tempo também tem atos de solidariedade para com os mais idosos para fazer compras no mercado.

Sou fascinada pela epidemiologia, tenho relido alguns livros interessantes que ficará para o próximo post!
Resultado de imagem para solidariedade
Cuidem-se, sejam mais humanos, mais amorosos, mais sensíveis, mais solidários! Se entendermos que  cada um é parte de um todo, o mundo poderá evoluir um pouquinho! Sejamos hikikomoris por um tempo, vai passar se todos cooperarem!

Aloha!

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Para que serve a educação? A resposta de um índio guarani


Resultado de imagem para indigenas desenhoVou seguir escrevendo sobre o aprendizado que venho tendo com os indígenas recentemente. Os povos indígenas do Brasil, na minha opiniã, tem ideias e concepções que são pouco disseminadas entre nós que vivemos na cidade .Mas é claro que Geoiarinha está aqui para ajudar nessa tarefa em entender melhor as ideias indígenas.
A pergunta do título do post foi dada por Carlos Papá, um pajé e cineasta da aldeia Guarani Mbya. Ele mesmo, numa palestra, fez essa pergunta e respondeu:
A EDUCAÇÃO SERVE PARA PROTEGER O SEU PRÓPRIO SER. 

Escrevi em letras garrafais e em negrito porque achei sensacional essa resposta, simples e direta. Segundo esse índio, os indígenas estão sempre buscando novas formas de entendimento e ele tem plena clareza que ele não sabe nada. Ele acredita que as gerações seguintes vão sempre conhecer mais que ele. 

Não são incríveis essas definições? Eu já escutei de pessoas adultas que trabalham muitas horas me perguntar se vale a pena estudar. Ter essa dúvida já é um sinal que as sinapses estão acontecendo no cérebro, ter dúvida é importante. O problema maior está em ter certeza, quando alguém tem a certeza que não vale a pena estudar, aí aconteceu a necrose das sinapses e nesse caso o ser pode ter morrido mesmo estando vivo. Ou então ter a certeza que só uma única e definitiva decisão, basta. Muita gente só enxerga apenas um único caminho.

Resultado de imagem para decisões desenhoA educação passa pelo estudar e isso não é a certeza de sucesso, de emprego bom, de salário alto, mas o teu cérebro vai fazer mais conexões e as relações que estabelecemos com as pessoas e com o mundo se ampliam. As decisões, quando se incorpora esse conceito de educação, tendem a ser mais assertivas, ou seja, a pessoa tende a ser mais confiante e mais segura de si. Ser mais confiante e mais seguro de si mesmo não é ter a certeza na forma binária de certo ou errado, mas tem muito mais a ver com a segurança da tomada de decisão sem sentimento de culpa.

Quantas vezes em muitas decisões da minha  vida eu escutei frases do tipo: "oh, mas você vai fazer tal coisa dessa maneira?" Eu costumo responder quando eu tenho muita clareza da situação, sim estou segura da minha decisão ou que não significa que eu tenha certeza. Estou longe de ser a pessoa mais segura do mundo nas minhas decisões, eu tenho dúvidas, eu me questiono, mas principalmente eu me permito escutar diferentes posicionamentos para pensar melhor sobre as decisões que aparecem na vida. E se por acaso eu tiver tomado uma decisão que não foi tão boa quanto eu esperava, tudo bem, sempre é possível consertar e recalcular a rota a ser seguida. Sabe aquela voz do google maps de quando você erra o caminho e ele fala: "recalculando", acho que é assim que eu me sinto sempre....recalculando sempre a minha rota.
Resultado de imagem para visão de mundo
Por isso que eu acho que os índios são muito sábios e tem uma compreensão de mundo muito plural, dinâmica e simples. Os índios que estou conhecendo estão me surpreendendo com tamanha genialidade e simplicidade e na medida do possível vou trazendo aqui para reflexão.

domingo, 3 de novembro de 2019

É preciso sair da aldeia para conhecer a aldeia!

Eu estava no Japão na última vez que escrevi e desde que voltei ao Brasil, minha vida foi tão intensa com muitos compromissos acadêmicos e profissionais que fui abduzida pela retomada da minha rotina em São Paulo. Toda vez que entro na avenida 23 de Maio ou entro no metrô em São Paulo, sinto que voltei para a corrente sanguínea dessa megacidade. Uma das melhores sensações de voltar para casa é ver no bilhete de embarque e no painel do aeroporto as três letrinhas GRU, voltar para minha cidade, minha pequena aldeia, é e sempre será uma alegria imensa.

Depois de morar 1 ano no Japão, fiquei bastante reflexiva pensando e repensando sobre o Brasil e com certeza de ter tido um aprendizado no Japão que se tornou um divisor de águas na minha vida. O mais legal é que muitas pessoas aqui no Brasil quando me perguntavam como tinha sido a experiência no Japão, tinham a expectativa de que eu fosse falar mil maravilhas como se lá fosse o verdadeiro paraíso. Eu acabo decepcionando muito as pessoas sobre essa ilusão que vendem aqui de país desenvolvido, em especial obviamente sobre o Japão. Deixo bem claro o quanto eu amo o Japão e o quanto esse país me ensinou, mas digamos que meu amor amadureceu e agora tenho uma visão pautada em experiências que eu vivi e senti, boas e ruins. Os chineses são sábios em entender as relações de Yin e Yang, a nossa vida é assim.


Resultado de imagem para o invasor americanoHoje assistindo o documentário de 2015 do Michael Moore "O invasor americano" fiquei mais feliz de ver que existem pessoas que saem da sua aldeia para poder conhecer melhor a aldeia. Basicamente, o diretor visita diversos países atrás das melhores ideias para levar para os Estados Unidos porque esse país tem muitos problemas. Sobre o Japão, para sair do visão romântica é assistir "Assunto de família" de 2018 , filme japonês que ganhou prêmio ano passado.


Se não é possível conhecer todos os países in loco, uma maneira de fazê-lo é pela arte, pelo cinema. Há diversos filmes e desenhos disponíveis que permitem às pessoas ampliarem sua visão de mundo. O acesso a diversos filmes pelas diversas plataformas existentes hoje deveriam servir como um meio de acesso para a construção de esclarecimento,  discernimento,  crítica e portanto conhecimento.

Não é possível que em pleno século XXI ainda tenham pessoas com a mentalidade do período feudal. Eu definitivamente tenho muita dificuldade de entender pessoas que pensam de maneira tão retrógrada. Eu me pergunto sempre, para que serve ter um iPhone e internet de alta velocidade se você não consegue enxergar o óbvio da sua vida, do seu dia-a-dia? Qual o sentido que te motiva acordar cedo e trabalhar?

Resultado de imagem para ailton krenakMe empolguei em escrever esse post porque conheci recentemente Ailton Krenak, um índio e ativista da causa indígena com uma capacidade de discernimento, crítica e conhecimento impressionantes. Se vocês puderem assistir os vídeos dele no youtube, assistam. Foi ele que me influenciou para o título desse post. Um índio que conhece muito bem a sua própria aldeia, mas que devorou no sentido de adquirir conhecimento tudo o que está fora da aldeia. Na palestra dele, dentre tantas coisas, a que mais me chamou a atenção é ele dizer: "por que vocês tem tanta dificuldade em enxergar o óbvio?"


Resultado de imagem para interrogaçõesEssa pergunta é linda e aí eu penso sobre por que muitos brasileiros aceitam tantas coisas erradas no Japão? Por que muitos aceitam como normal a opressão, os xingamentos, os assédios? Por que os brasileiros se sentem tão inferiores no exterior? Por que o brasileiro odeia tanto seu próprio país? Por que o brasileiro, mesmo aqui no Brasil, não se enxerga enquanto ser humano que precisa de um mínimo de dignidade? Por que o brasileiro acha que só ter pensamento positivo, as coisas vão mudar na prática?


Eu posso sair da minha aldeia quantas vezes eu quiser, mas a aldeia nunca vai sair de mim. A esperança é que o conhecimento se construa para que seja possível se enxergar na aldeia e principalmente aprender o que há de bom e de ruim fora dela.

Precisamos voltar a sermos mais "humanos" e usar o que a evolução trouxe de melhor para a nossa espécie, nosso cérebro. Qualquer tentativa de manipulação que limitem a capacidade de pensar a complexidade da vida, das pessoas e dos países é uma afronta a evolução.

#conheçasualdeiaesejaglobal